ruim
segunda-feira, setembro 29, 2003
 
Congresso
Paulo Portas e seus muchachos continuam imparáveis. E bem dispostos. Aquela do bolor teve muita piada. E como riu o Paulo Portas. É certo que o bolor sempre pode ser utilizado para fins medicinais. Mas tumor versus bolor, estão a ver? É irresistível e rima. Ah, este humor inteligente.
O revisionismo histórico também é engraçado. Só é pena não ser original. Grandes homens da história universal já o inventaram antes da rapaziada do Portas. O que eu não daria para ver as velhas edições do Independente reeditadas e revistas pelo seu ex-director.
 
Tabaco
No Godot escreve-se o que me apeteceria dizer sobre os novos maços de tabaco parecidos com anúncios de agências funerárias. Continua-se a tratar os fumadores como retardados e imbecis. Enquanto inspiro mais uma fumaça, penso no que será o mundo de amanhã, quando os militantes que zelam pela nossa saúde o dominarem. Tenho logo um ataque de tosse. Felizmente que o tabaquito me poupará à visão desse triunfo.
domingo, setembro 28, 2003
 
Godot
Este homem está-se nas tintas para todos nós. Preguem-lhe uma partida e vão lá. Certeiros os seus comentários sobre... os comentários:
«Alguns bloggers brasileiros, do alto da sua modéstia, acham que os portugueses isstaum um pôkinho atrasados - presume-se que em relação a eles mesmos, brasucas. Pois se até é raro ver um blog portuga com sistema de comentários!
Caríssimos, a explicação é simples: Portugal é um país de trogloditas (é essa a vossa herança genética, certo?); os comentários, nos blogs portugueses, funcionam como balde do lixo; permitir que um qualquer imbecil vomite uma série de patacoadas, geralmente agressivas, provocatórias e insultuosas, borrando por baixo aquilo que escrevemos, é uma tremenda parvoíce. Existem comentadores ou, melhor dito, comentaristas militantes, gentinha que não faz outra coisa além de chatear este e aquele; correm os blogs da moda e, nos que têm sistema de comentários, deixam a sua marca odorífera... isso, como os canídeos de bairro. Procuram assim alguma notoriedade, quanto mais não seja pelo cheiro. E, claro, quanto pior disserem e pior cheirar, melhor. Excelente exemplo daquilo que é e para que servem os sistemas de "bocas" é o velho pipi, recordista mundial de comentários; aqui sim, a coisa adequa-se e tem tudo a ver, como qualquer latrina pública há muitas coisas escritas nas portas e nas paredes, tudo condizente, tudo com o mesmo fedor entranhado, tudo com sarro por igual.
Depois há as paragens obrigatórias, as "blogzonas", por regra com "posts" microscópicos, mesmo a pedir sua bajulaçãozinha a cada um; que ele também há disto, o inverso da pinchagem, tu-comentas-o-meu-que-eu-comento-o-teu.
Por fim, o comentarista militante, que vai a todas, vai também aos outros, aos do fim da lista, aos blogapeadeiros; e é nestes que malha, sistematica e parcimoniosamente
».

 
O cantinho do desporto 2
Acabei de ver o Benfica-Nacional. Ok, o Benfica jogou mal. Mas o que continua a impressionar-me são estas arbitragens. Como é possível o árbitro mostrar o 2º cartão amarelo ao Tiago (bem) e não o mostrar, em lance posterior, a um tal Fidalgo? Já para não falar do penalty não assinalado sobre o Sokota. Junte-se a escandaleira do golo anulado ao V. Guimarães no jogo contra o Porto e já temos mais uma jornada marcada por arbitragens indescritíveis. E ainda falta o Sporting amanhã...
Nos últimos anos temos vindo a assistir às ridículas acusações do presidente do SCP, Cunha de seu nome, contra a circunstância de os árbitros levarem o Benfica ao colo. Essas acusações duram enquanto o Benfica não está pelo menos a 10 pontos do líder da Liga. As alucinantes viagens do Benfica ao colo dos árbitros já o conduziram ao 6º lugar, a pior classificação de sempre do Glorioso. Sugiro que se mude o meio de transporte. Talvez uma ambulância seja mais adequado.
Entretanto, o presidente Cunha parece ter mudado de lentes e, vários anos depois, descobriu que afinal o Porto tem sido beneficiado. É o que ele diz agora, mas não o levemos muito a sério.
Quando o Porto tiver pelo menos 10 pontos de vantagem as arbitragens subirão de nível e serão mais equilibradas. Nessa altura até se poderão dar ao luxo de «prejudicar» o Porto, para espicaçar a alma da nação portista e do presidente Costa. A ver vamos.



sexta-feira, setembro 26, 2003
 
O meu anti-americanismo
Voltando a um tema algo estafado. A propósito da guerra no Iraque, os fundamentalistas defensores das posições americanas, seguindo a voz do dono, dividiram o mundo em dois: os que são a favor da guerra e os que são contra a guerra, os que são contra o terrorismo e os que são a favor do terrorismo, os pró-americanos e os anti-americanos, os bons e os maus.
Nesta visão do mundo, que não ultrapassa em profundidade o nível das redacções da 1ª classe, eu estaria sempre no grupo 2, o dos maus, pelo facto de não concordar com a aventura americana no Iraque.
Como não me conformo com esse rótulo de anti-americano primário, tenho a dizer algumas coisas que abonam em meu favor. Que são as seguintes:
- sou cliente habitual do McDonald’s;
- sou fanático do baseball e sigo os jogos pela internet (torço pelos San Francisco Giants);
- gosto do desporto americano em geral;
- 90% dos filmes que vejo são americanos, não só porque são praticamente os únicos que se podem ver em exibição mas porque gosto do cinema americano;
- adoro westerns e a Sesamo Street;
- entre os meus livros de referência, grande parte são de autores americanos;
- aprecio hamburguers e hot dogs;
- invejo os carros americanos;
- sonho fazer a travessia da América ao volante de um velho Buick;
- admiro a feroz e épica independência da velha imprensa liberal americana.
Poderia ir por aí fora e esta lista seria interminável. É claro que, dirão os mais informados, o Fidel Castro também gosta de baseball. É certo. E aqui o velho Fidel marca igualmente um ponto. Estou convencido que esses grandes defensores do Bush não percebem nada de baseball. E, sendo assim, não entendem nada do espírito americano, da maneira americana de ser. Não distinguir um strike de um out é gravíssimo. Não saber a diferença entre um catcher e um pitcher é de uma ignorância brutal.
Nunca estive nos EUA. Nem é preciso. A cultura americana, sendo dominante, entra-nos pela casa dentro. Claro que gostaria de ir à América. Mas a América vem ter connosco.
Existe muita coisa na América de que não gosto. Tal como em Portugal. Mas não sou anti-português, assim como não sou anti-americano.
I love America. Como dizia um genuíno adepto americano de baseball «Play ball not war».


 
Muito Mentiroso
O defunto, depois de cumprir as suas promessas, aboliu-se. Muita gente se incomodou. Curiosamente, alguns desses indignados ignoram o RepóterX, que corrobora muitos dos «factos» (entre aspas por causa dos melindres) do Muito Mentiroso. O RepóterX dá a cara. Então, talvez a razão da fúria resida no anonimato do Muito Mentiroso.
Aqui há uns tempos circulou pelos serviços das Finanças uma folha anónima que dava pelo nome de «Borda d'Água». Denunciava casos de corrupção entre os funcionários do Ministério das Finanças. A PJ abriu processo e investigou as situações focadas no «Borda d'Água». Como resultado, vários funcionários foram detidos. Em contrapartida, o Director-Geral dos Impostos foi severamente criticado por ter deitado para o lixo essas denúncias, a pretexto de serem anónimas, e teve de vir a público justificar-se.
Quem conhece minimamente os meandros dos serviços policiais ou de inspecção sabe que uma denúncia anónima vale o que vale. Mas, se a mesma for factual, deverá ser investigada. Gostaria que a PJ ou o MP investigassem os alegados factos denunciados no Muito Mentiroso. E que investigassem o seu autor caso recebesse queixas de pessoas que se sentem difamadas. Assim seriam coerentes. Não vale a pena é fingir que o Muito Mentiroso não existiu.
P.S.- A ideia de um grupo de vigilância clandestino constituído por polícias e agentes secretos perturba-me. A ser verdade, a nossa sociedade estaria mais doente do que parece. A ser verdade.
 
PSL
Já anteriormente o ruim fizera notar a irrepremível tendência de Pedro Santana Lopes para tentar captar a confiança do seu ouvinte/leitor com um sussurrante «francamente» ou, noutra fórmula, «sinceramente», estilo e agora só para você e em exclusivo. Os exemplos abundam e basta recorrer à sua última crónica do DN, em que, num exercício de auto-comiseração, se atira contra os media que tanto detesta. Destaco as passagens:
- «Calculo, sinceramente, que seja porque é preciso atacar-me seja pelo que for, porque assim está combinado nas tais ligações que não deviam existir
- «Nem sei com franqueza quais são os que estão a disputar nem sei bem o quê. Com certeza que, pelo sentido de responsabilidade, sei que há polémicas sobre a privatização do sector, mas, com franqueza, é assunto que não tenho podido acompanhar
- «E, confesso, que tem acontecido muitas vezes os mesmos erros, seja em sobe e desce, seja em sondagens, seja em análises, seja nas mais variadas matérias sempre nos mesmos espaços e nos mesmos sítios
Esqueçam tudo o resto do texto. Que não é franco nem sincero.
 
A face da justiça
O episódio do juiz desembargador presidente do Tribunal da Relação já foi visto, contado e glosado. O lado bom desta história, para além da incrédula risada que me provocou, foi o de pôr em evidência uma certa face da nossa justiça. Mas quem está mais ligado ao funcionamento dos tribunais conhece inúmeras pequenas histórias, cómicas e trágicas, sobre o lado oculto dos seus protagonistas. Este episódio distancia-se dos demais porque ganha a credibilidade de passar na TV. A Sofia Pinto Coelho não ganhará o Prémio Gazeta mas ganhou o dia. E o juiz desembargador candidata-se seriamente, na sua modéstia, a ficar na galeria, logo abaixo dos ilustres Pinheiro de Azevedo e Kruz Abecassis.
Alguns comentadores e actores da sociedade tentam anestesiar-nos com a estafada conversa da confiança no poder judicial, como garante e refúgio do sistema democrático. Ora, esta famosa garantia que nos deveria confortar é assegurada por homens e mulheres como aquele castiço juiz desembargador, por magistrados do MP, funcionários judiciais e, como agentes «externos», pelas polícias, demais autoridades e advogados. Homens e mulheres que não são melhores nem piores do que aqueles que integram outras corporações. Que têm raivas, simpatias, ódios, humores, fraquezas, heroísmos, compromissos, doenças (físicas e mentais), vícios, e por aí fora. Querem-nos fazer acreditar numa casta de magistrados, sérios e impolutos, que pairam acima da sociedade. Estes mesmos que, de repente valentes, fingem que até agora não tiveram existência física. O que mudou para que nos afirmem que nada será como dantes e que a justiça não receia os poderosos? O que aconteceu aos magistrados de ontem? Mudaram as pessoas? Mudaram as instituições? Mudaram os códigos?
Um magistrado não passa de um funcionário público bem pago, ao contrário dos demais. Embora recusando-se a aceitar esta realidade, são apenas, como a maioria dos funcionários públicos, necessários, honestos e esforçados. Mas não são divinos. Por isso gozam do raro privilégio do direito à asneira sem responsabilização.
Não acredito na justiça neutra e asséptica. A justiça prossegue apenas interesses decretados pelo Estado. Por isso é bom ter um Estado democrático que reconheça aos cidadãos alguns direitos que nos ponham a salvo da arrogância e demagogia de magistrados arrogantes e demagogos.
P.S.- Quase que adivinho que isto vai acabar com um pedido de desculpas. Os processos serão esquecidos e não se fala mais do assunto, a bem da Nação. O sindicato dos juizes, habitualmente tão enérgico contra os críticos da sua corporação, já emitiu um tímido gemido de lamentação.


segunda-feira, setembro 15, 2003
 
Obras
Recebi milhares de mails preocupados com o possível fim do ruim. Não, na verdade foi apenas um. Bom, verdade verdadinha toda a gente se tem estado borrifando para o facto de o último post datar de 27 de Agosto.
Apesar de tudo devo uma explicação aos ingratos e infiéis visitantes deste blog. O ruim não acabou. Ou, pelo menos, penso que não acabou. Obras domésticas (malditas!) impedem-me do acesso minimamente confortável ao computador. Fica a ameaça: o ruim voltará, desactual e palpitante como sempre, retomando o fio à meada dos idos de Agosto.
quarta-feira, agosto 27, 2003
 
Telemóvel
Não percebo esta mania de as pessoas atenderem o telemóvel em qualquer lugar. Basta tocar e a chamada tem de ser imediatamente atendida, como se estivesse em causa a própria felicidade. Sobretudo ao volante. Ainda há tempos assisti ao quase atropelamento de uma senhora que empurrava um carrinho de bébé, numa passadeira para peões, precisamente por uma condutora ocupada com a complexa tarefa de manobrar a viatura e o telemóvel.
Este é um mal que não afecta apenas a direita liberal. Vi recentemente um dos mediáticos dirigentes do BE ao volante do seu carro enquanto travava a luta de classes agarrado ao telemóvel.
 
Estratégia
Sempre entendi que Ferro Rodrigues foi uma má escolha para suceder a Guterres. Até porque é membro dessa sociedade semi-maçónica que dá pelo nome de Conselho Leonino. Ainda não mudei de ideias mas assisto estupefacto à quase unanimidade dos comentadores em criticarem a «estratégia» de FR, consumada no discurso que fez no Algarve. Tem sido um massacre. Critica-se a circunstância de FR ter feito de Paulo Portas, e do que classifica como a «direita radical», os seus principais alvos. E de ter esquecido Durão, esse sim, o 1º ministro, só ele digno dos ataques do líder da oposição. Esses mesmos comentadores anunciam já o clamoroso fim de FR, que já não poderá ganhar as eleições, que deu um tiro no pé. Esta opinião foi ratificada e abençoada pelo papa dos comentadores, o Professor Marcelo, em directo durante a sua missa dominical. Assim sendo, já é oficial.
Modestamente, parece-me que os comentadores ainda não perceberam que o eleitorado se está nas tintas para esses discursos. Se o perceberam, os ditos comentadores não admitem esta realidade, que seria quase o fim do comentário político pago nos jornais, rádios e televisões. O eleitorado, seja lá isso o que fôr, ou vai à bola com a cara do candidato ou não. E antes disso, ainda está a perfomance do governo. Se o eleitorado não gostar mesmo nada do governo vai pôr o voto na oposição, nem que seja liderada por uma pegada de dinossauro. Geralmente é assim que as coisas se passam nas democracias avançadas. Nas democracias menos avançadas, nas democracias atrasadas, ou onde nem sequer existe democracia, as coisas são mais imprevisíveis. Por essa razão é que alguém chamou a este fenómeno a «alternância democrática».
A pequena minoria que liga a estas coisas e que lê os comentadores tentando perceber qualquer inflexão estratégica num simples discurso de Verão, já decidiu em que partido vota ou não vota. Estes factos servem apenas para alimentar conversas e discussões mais ou menos ocupacionais e algo diletantes, como, por exemplo, este post.
Independentemente de tudo isto, se calhar a estratégia de FR não é assim tão tola. Não lhe vai ser de grande utilidade mas até poderia revelar-se a mais inteligente, no pressuposto de a estratégia política servir para alguma coisa. É do senso comum, e os estrategas militares sabem-no melhor que ninguém, que o inimigo deve ser atacado pelo flanco. Ora, o flanco deste governo, o seu ponto mais fraco, nem são os ministros invísiveis ou as promessas por cumprir. O flanco mais débil é Paulo Portas. Não por ser o mais idiota ou incompetente dos ministros mas sim por ser aquele com cuja cara o eleitorado vai menos à bola. Até no eleitorado do PSD
Juro que isto é, em resumo, o que pensava escrever antes de ler a página de Pedro Lomba no DN. Depois de a ler apeteceu-me escrever precisamente o contrário do que acabo de escrever. Porque, admito esta fraqueza, detesto estar de acordo com o Pedro Lomba. Mas não. Ele, genericamente, tem razão. Vejamos o que diz:

«As oposições, quer sejam grandes ou pequenas, não diferem. Também elas protagonizam uma função: criticar os governos, desacreditar as suas políticas, exigir a cabeça de ministros, aguardar a queda do paço. Façam o que fizerem, digam o que disserem, as oposições são sempre uma alternativa. Na medida em que estão, na medida em que existem, são uma alternativa. O resto, em certa medida, torna-se secundário. As ideias, por estranho que pareça, são secundárias. Alguma coisa mudará para o PS se o partido apresentar amanhã um plano arrasador e milagroso para atrair o investimento estrangeiro ou para pôr a Administração do Estado a funcionar? O que as oposições pensam sobre os assuntos marcantes da agenda política, as inefáveis receitas que elas preconizam, tudo isso tem uma importância bem mais relativa do que se possa pensar. O que importa é que as oposições estejam. Que, sobretudo, estejam no momento certo, com câmaras televisivas devidamente ligadas, e os actores certos, políticos regulares que não cometam asneiras visíveis e revelem alguma perícia para apagar fogos e cultivar a fidelidade, mesmo a mais burra fidelidade. Por norma, os erros de casting pagam-se caro. Em 1995, Fernando Nogueira foi um desses erros de interpretação e o PSD acabou anos a perorar tristemente no lado errado do hemiciclo.
As democracias consensualizadas, e a nossa tende a sê-lo cada vez mais, o poder não se conquista; espera-se. Os ciclos políticos são uma sucessão de rotinas e esperas. Antes de ganhar as eleições, Durão Barroso disse que chegaria um dia a primeiro-ministro, embora não soubesse quando. Alguém se lembra de uma ideia de Barroso que fizesse diferença na oposição? Não, Durão limitou-se a esperar, e esperaria sempre enquanto o seu partido o tolerasse. Por isso, o verdadeiro conflito político de hoje já não se passa entre Governo e oposições mas no interior dos partidos. Ferro Rodrigues só não será primeiro-ministro de Portugal se o PS não quiser
».

Ainda me lembro bem de os comentadores afirmarem que Guterres não tinha carisma. Depois foi o que se viu.
terça-feira, agosto 26, 2003
 
Deixem o homem falar!
Li no Portugal dos Pequeninos e não posso estar mais de acordo:

«O Dr. Mário Soares, le sage, perorou esta semana numa coisa do PS. Depois disto, não se percebe o que é que o Dr. Ferro vai fazer a Portimão. Ao contrário de alguns aprendizes de feiticeiro, eu gosto muito de ver Soares a falar. Nestes tempos de políticos de plasticina, de analistas de meia tijela e de liberalóides insolentes, eu, que até sou muito liberal, aprecio as tiradas de Soares, mesmo quando não concordo inteiramente com elas. Não julgo que se deva pedir o seu silêncio ou o seu recato. Se isto já é a seca que conhecemos, imagine-se o que seria, entregue exclusivamente aos espertinhos de serviço. A maior parte deles devia seguir o seu conselho: largar isto e comprar um cão».

Eu também gosto de ver muito Soares a falar. Deixem o homem falar!

 
Nova doutrina
À sua maneira, o ruim não deixa de ser um blog liberal. Temos uma direita liberal, uma esquerda liberal (inventada pelo João Carlos Espada?), um sulismo liberal (visionado por Filipe Menezes?), porque não um horizonte liberal?
Todos os blogs são bem vindos nesta paisagem, embora uns nos irritem mais e outros nos embalem melhor.
Mais alguns heróis e vilões que, sem ofensa, irei adicionar à coluna da direita:
Satyricon - o que não quer ser liberal de coisa nenhuma.
A Origem do Amor - um blog sobre pássaros, em que vale a pena passar pelas cagadelas antigas.
Umbigo - bem melhor que as Selecções do Reader´s Digest.
opiniondesmaker - um dicionário sem bonecos para todos percebermos melhor.
segunda-feira, agosto 25, 2003
 
Liberais
Sobre o aqui se escreveu sobre certa direita liberal, diz o Liberdade de Expressão: «O Liberdade de Expressão não tem que se sentir atingido por esta boca porque não é um Blog de direita, pelo menos não é da direita como o Ruim a entende. Mas esclarece que o liberalismo é obrigatoriamente anti-nacionalista se entendermos por nacionalismo aquilo que ele normalmente é: uma ideologia que coloca a nação ou o povo acima do indivíduo; que pressupõe que os interesses colectivos devem estar acima dos interesses individuais; que pressupõe a superioridade de um grupo; que obriga a "solidariedades" não voluntárias para com indivíduos de uma determinada raça ou origem geográfica. No liberalismo não há muito espaço para este tipo de nacionalismo. Há apenas espaço para um nacionalismo que resulte das acções voluntárias de individuos. Mas neste caso nenhum liberal tem obrigação de ser nacionalista».
Ok. O ruim acusa o toque. Retiro o liberal à direita.

 
Não estamos sós
De repente, de um ponto do universo, vem uma mensagem que me diz: não estamos sós. Graças ao interesse comum pela vida e obra de Luís Delgado, o aclamado bloguista de Linhas Direitas (ver links mais abaixo), colunista do DN, Director do Diário Digital (ou ex, tanto faz), Presidente da Lusa, entre outras coisas, descubro um blog que vai passar a ser visita obrigatória do ruim, de seu título BLOGUITICA NACIONAL.
Dividido entre as maravilhas desta liberdade e um desencanto por algum espírito de seguidismo que reina neste meio, escreve o BLOGUITICA NACIONAL: «Acontece que ter uma opinião -- que mereça ser lida -- requer esforco. Exige trabalho. Ter opinião não é grátis. Uma opinião não é um ponto de partida. Antes um ponto de chegada».
Exagera? Sim. Está a levar a blogosfera demasiado a sério? Sim. Não deixemos de ter opinião. Afrontemos os especialistas e os tecnocratas. Com todo o respeito.

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